12-06-2017

Como os médicos pensam

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) chegaram à conclusão de que diagnosticar doenças e prescrever tratamentos com base em informações escritas ativam no cérebro dos médicos os mesmos circuitos neuronais usados por qualquer pessoa para nomear objetos ou animais.

Identificar tais peculiaridades, dizem, é algo importante a ser estudado no sentido de prevenir erros na prática médica.

Ressonância

Os participantes do estudo, 31 clínicos, foram submetidos a dois diferentes experimentos: no primeiro, um conjunto de sintomas, como tosse, febre e condensação pulmonar, era apresentado por escrito e o médico tinha de identificar a doença a ele relacionada. Como comparação, eram exibidas informações sobre animais ou objetos a serem nomeados.

No segundo experimento, as telas mostravam o nome de doenças e a tarefa consistia em prescrever o tratamento mais adequado.

Em ambos os casos, foram usados equipamentos de ressonância magnética funcional (que permite detectar variações no fluxo sanguíneo em resposta à atividade neural), que avaliou o funcionamento cerebral dos voluntários.

Segundo Marcio Melo, pesquisador do Laboratório de Informática Médica da FMUSP e primeiro autor do artigo, entre outros pontos, neste trabalho foram identificados mecanismos capazes de levar a uma conclusão diagnóstica prematura. 

“Nossa análise mostra uma notável semelhança na atividade cortical durante as três tarefas – diagnóstico, prescrição e nomeação de objetos ou animais –, o que corrobora a nossa hipótese inicial”, disse Melo.

Outra conclusão importante do artigo é que, aparentemente, os médicos só tomam consciência de sua decisão quando começam a verbalizá-la. Segundo Melo, as imagens revelaram uma “inesperada e dramática” mudança na atividade cerebral entre os períodos decisório e o início da vocalização das respostas.

Os resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram publicados em maio na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

O artigo How doctors diagnose diseases and prescribe treatments: an fMRI study of diagnostic salience pode ser lido em: https://www.nature.com/articles/s41598-017-01482-0

Fonte: Agência FAPESP


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