12-09-2019

A incrível história do homem "grávido"

Seahorse (cavalo-marinho) é a – curiosa – espécie animal em que o macho é responsável por gerar os filhotes, após a fêmea depositar os ovos em uma “bolsa” em seu corpo. 

Não é à toa que Freddy McConnell, jornalista multimídia do tabloide inglês The Guardian, resolveu dar este nome ao documentário produzido pela rede BBC em que relata, de maneira emocionante, um período especial de sua vida: a gravidez. 

Homem transgênero desde os 25 anos, aos 30 anos sentiu que era a hora de começar uma família. 

Primeiro passo: parar de tomar testosterona. Depois de haver enfrentado barreiras pessoais e  familiares, entre outras, para assumir que era um homem, voltou a  menstruar; seus pelos faciais ficaram mais finos e seus quadris se alargaram. A certa altura do documentário, McConnell chora em frente à câmera no meio da noite: "me sinto como um maldito alienígena".

O esforço, no entanto, não foi em vão, já que permitiu  o início de tratamento de fertilização com o esperma de doador dos EUA.  A primeira tentativa não deu resultado, mas a segunda confirmou que estava esperando um bebê. Não foi uma decisão fácil, mas ter o próprio filho parecia “a opção mais pragmática e mais simples”, contou o jornalista.

Isso porque congelar os óvulos e conseguir uma barriga de aluguel ou iniciar um processo de adoção (sobretudo como um homem transgênero solteiro) nem sempre são bem-sucedidos.

Bullying 
Em entrevista ao The Guardian, McConnell lembrou sua infância feliz, mas complexa, devido aos problemas de identidade de gênero.

Quando criança, teve disforia de gênero, termo usado para descrever a ansiedade sofrida por um indivíduo que se identifica com o gênero oposto ao atribuído a ele no nascimento.

Na escola, foi vítima de bullying na escola e das provocações cruéis dos colegas, uma vez que seu comportamento não correspondia ao que se esperava de uma menina.

No processo, fez uma cirurgia para remover o tecido mamário, mas pensou duas vezes na hora de considerar uma histerectomia, pois não queria eliminar permanentemente a possibilidade de ter filhos.

Hoje, o filho Jack tem um ano e mora com o pai em uma cidade costeira da Inglaterra.

Mas, embora tenha o apoio do seu núcleo próximo, ele sabe da rejeição e falta de compreensão que a comunidade transgênero sofre. Por isso, apesar de ser uma pessoa tímida e reservada, decidiu fazer um documentário tão íntimo.
Sua ideia com este filme é dizer que a vida dos transexuais pode ser normal.

Fontes: BBC Brasil e The Guardian 


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