11-04-2019

DNA de três pessoas

A mãe, uma grega de 32 anos, já havia passado por cinco outros ciclos de fertilização in vitro, porém todos sem sucesso, pois havia algo nos óvulos dela que impedia de os embriões se desenvolverem de forma adequada. 

Foi quando equipe de pesquisadores de Atenas decidiu partir para a “transferência de fuso materno”, técnica pela qual o DNA agrupado do óvulo da mãe é removido e colocado dentro de um óvulo esvaziado doado por outra mulher, para só então ser fertilizado com o esperma do pai e transferido ao útero. 

Com isso, pode-se afirmar que o bebê – um menino nascido com seis quilos – carrega o DNA de três pessoas. “Juntamos o material genético da mãe e do pai, mas depois apresentamos um parceiro de dança diferente”, resume Jonathan Tilly, chefe do departamento de biologia da Northeastern University, Massachusetts, EUA, que há tempos estuda o método. 

É bom explicar que as mitocôndrias contêm em si uma pequena quantidade de material genético que é separado do chamado “DNA nuclear”, contribuindo para várias características, desde a cor dos olhos à imunidade.

Pioneiro

Outros (poucos) nascimentos semelhantes já foram relatados em literatura, mas é a primeira vez que o recurso é usado em mulher que não sofreu mutações no DNA mitocondrial. 

Entre outras especificidades, o fato de a técnica ter sido aparentemente bem-sucedida em uma voluntária sem tal condição sustenta a ideia de que as mitocôndrias podem ter um papel importante nos tratamentos de fertilidade, em especial, para as pacientes mais velhas. “Há muito mais a entender sobre o porquê de os óvulos irem perdendo a qualidade, com o envelhecimento”, explica Jonathan Tilly. 

Em nota divulgada pelo Instituto Vida, instituição que abrigou todos os passos do estudo, Panagiotis Psathas líder do grupo de pesquisadores, afirmou: “estamos agora em posição de tornar possível às mulheres com múltiplos fracassos de fertilização ou com doenças genéticas mitocondriais raras gerar uma criança saudável”. 

Apesar da esperança, os próprios pesquisadores não creem que a transferência de fuso materno logo se torne rotina nas clínicas de reprodução assistida. Um dos possíveis dificultadores: os estudos voltados às consequências técnicas e éticas da combinação de DNA em longo prazo ainda são insipientes. 

Fonte: Revista Time 


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