25-05-2018

Há cinquenta anos, o transplante

O nome do paciente era João Ferreira da Cunha, mato-grossense, 23 anos, e conhecido pela alcunha de “João Boiadeiro”.

O do médico responsável pelo tratamento necessário era Euryclides de Jesus Zerbini, ladeado por outro “Euclydes” – desta vez, Marques.

Juntos protagonizaram, em 26 de maio de 1968, um feito histórico para a medicina do país e América Latina: o primeiro transplante de coração, realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. A cirurgia aconteceu apenas cinco meses após o primeiro procedimento do gênero no mundo, na África do Sul, e colocou o Brasil entre os principais centros de transplantes cardíacos do planeta.

João Boiadeiro sofria de insuficiência cardíaca, sabia que era grave, mas, conforme relatos obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo, não tinha a total noção da seriedade do quadro, aceitando a cirurgia com tranquilidade. “Se for para melhorar, tudo bem”.  Melhorou, mas sobreviveu por mais 28 dias depois de transplantado.  O feito pioneiro só foi possível graças à família do serralheiro Luís Ferreira Barros, morto em um acidente, que concordou em doar seu coração.

De qualquer maneira, até o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas mais sofisticadas, os primeiros transplantes no país não resultaram em um tempo significativo de sobrevida. Entre 1968 e 1969, mais dois pacientes passaram por transplantes cardíacos, sendo que o segundo viveu por mais de um ano, mas teve rejeição crônica e morreu. O terceiro faleceu poucos dias depois, em decorrência de uma infecção.

Transplantes anteriores
Em novembro de 1967, o americano Norman Shumway anunciou que estava preparado para fazer o primeiro transplante de coração do mundo. Porém, discussões acerca do momento ideal de se retirar o órgão do doador-cadáver protelaram o procedimento.

Durante os trâmites, o sul-africano Christian Barnard foi mais rápido. Em três de dezembro de 1967 transplantou um coração em Louis Washansky, de 55 anos, na Cidade do Cabo, que morreu 18 dias depois, de pneumonia.

Fonte: Folha de S. Paulo


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